Teses e Dissertações

Bem vindo(a) a Estante de Teses e Dissertações!

Ao consultar fica condicionada na aceitação das seguintes condições de utilização:

Estes trabalhos são exclusivamente para uso privado de atividades de pesquisa e ensino. Não sendo autorizada a reprodução para quaisquer fins lucrativos. Esta reserva de direitos abrange a todos os dados dos documentos bem como seus conteúdos. Na utilização ou citação de partes de algum documento, é obrigatório mencionar nome da pessoa autora da tese ou dissertação.

 

2016

A cerâmica dos Tapajó e o desejo de formas: estudo de peças cerâmicas arqueológicas mirando potências criativas – Wagner Penedo Priante

A pesquisa que resultou nesta dissertação teve como objeto de estudo a cerâmica dos Tapajó, em abordagem que privilegiou reconhecer o conjunto dessa produção e verificar, na análise estrutural de seus objetos, alguns elementos formais recorrentes. Também se buscou investigar como procedimentos inerentes ao fazer cerâmico possam ter sido empregados no processo, observando-se singularidades de algumas peças. Durante todo o percurso, procedeu-se ainda ao registro de impressões e inspirações que foram propulsoras de processo criativo do autor. Num diálogo entre pensamento e ação, teoria e prática, palavras e objetos, a pesquisa finalizou-se com a elaboração de um conjunto de objetos e esculturas em cerâmica, os quais expõem, em sua visualidade, percepções desse artista ceramista contemporâneo sobre o que foi investigado.

•••••

“Maragogipinho – as vozes do barro: práxis educativa em culturas populares” – Sonia Carbonell 

Este trabalho apresenta uma observação acurada do universo da cerâmica no povoado de Maragogipinho, Bahia. A pesquisa revela quem são os mestres e mestras do barro, dá a conhecer o seu processo criativo e educativo. Esses homens e mulheres são protagonistas do patrimônio cultural imaterial brasileiro, eles detêm e socializam conhecimentos que perpassam gerações, saberes tecidos em práticas de ensino não sistematizadas e nem legitimadas pelas culturas hegemônicas. A educação artesanal está fundada na ancestralidade, na repetição e na invenção, no constante diálogo entre a tradição e a emergência da modernidade: novas formas de criação e antigos segredos de ofício se misturam, numa tensão permanente entre transformação e conservação. O artesão e a artesã vivem o seu legado cultural e o mantêm vivo, reinventando-o e atualizando-o eternamente. Essa herança conserva a conexão com o passado, mas se reveste de novos símbolos e significados no presente para fortalecer a identidade dos autores e de suas comunidades, e para dar sentido ao futuro.

•••••

“O objeto cerâmico como elemento da cultura: um estudo a partir da Coleção Lalada Dalglish” – Camila da Costa Lima

Esta tese promove um estudo sobre o objeto cerâmico, destacando aspectos que o relacionam com uma determinada cultura. A partir da análise de uma Coleção particular, Coleção Lalada Dalglish, propõe-se investigar processos, técnicas e conceitos a fim de definir um diálogo entre a cerâmica e sua localidade de origem. Nesse contexto são abordados temas que envolvem desde o colecionismo, passando pelo processo de documentação da Coleção, até os fatores que influenciam o fazer da cerâmica e definem sua identidade, concluindo com uma série de estudos de caso que envolvem os objetos, ceramistas e locais selecionados dentro do universo estudado.

2015

“A cerâmica e suas poéticas transcender limites” – Silvia Noriko Tagusagawa

Esta pesquisa tem como objetivo refletir sobre a Poética e sobre a Técnica que envolvem a Cerâmica como meio de expressão. Tal reflexão foi feita por meio da análise de depoimentos de sete artistas, bem como da observação das singularidades de seus trabalhos em cerâmica. Entre os critérios para seleção dos artistas estão o reconhecimento no meio artístico e a ousadia ao transcenderem os limites técnicos conhecidos.

•••••

“De cidadela a vila: cerâmica, arquitetura e imaginário” – Luciana Beatriz Chagas

Este trabalho faz uma análise do objeto cerâmico inspirado na arquitetura. A partir de referências plásticas, teóricas e iconográficas, foi construído um percurso poético ao longo de quatro anos, resultando em diversos segmentos, ou séries. O memorial descritivo do trabalho plástico apresenta reflexões sobre a conexão entre as cidadelas medievais e a vivência afetiva dos espaços, assim como uma descrição dos processos e técnicas utilizados na realização das peças cerâmicas.

•••••

2014

“Des Astres” – Carina Maria Weidle

Des Astres é um conjunto de investigações artísticas ancorado nas imagens de três adventos tecnológicos: a máquina de escrever, a guilhotina e os fósforos. Os trabalhos procuram abranger, de forma rizomática, aspectos da imprecisão do processo, arruinamento e dúvidas sobre a consciência da matéria.
Des Astres é organizado sob a forma de um iceberg, uma ruína flutuante onde encontram-se nostalgicamente estes antigos objetos e que organiza e desencadeia elaborações surrealistas de justaposição de realidades distantes.

•••••

2013

“Do barro do rio: um filme de animação inspirado na lenda do Golem” – Kurt Jurgen Stuermer Junior 

O golem é um ser mítico ligado ao misticismo judaico. O relato mais significativo envolve Judah Loew, rabino de Praga na república Checa no século XVI. O rabino Loew modelou o seu golem com o barro do rio Vltava e lhe deu vida através de um processo mágico. O Golem foi criado para proteger o povo judeu dos crescentes ataques anti-semitas. Nesta animação, feita com a técnica de stop-motion utilizando a argila como meio de expressão, a lenda do golem assume uma abordagem contemporânea. O Golem tem de proteger não só o povo judeu, mas toda a humanidade contra sua maior ameaça. Buscando entender sua tarefa, ele se depara com a contradição que ela representa. Neste filme de animação a argila sublima sua materialidade e liberta-se de seu peso para tornar-se um meio líquido e etéreo. Por este motivo ela foi escolhida como meio de expressão para este projeto.

•••••

A dissertação Mestre Galdino: o ceramista poeta de Caruaru – PE refere-se à construção poética desse artista, desde a coleta do barro, tipos de fornos e técnica utilizada. Busca catalogar suas esculturas e poesias, analisá-las quanto ao seu estilo e processo de criação, relacionando-os ao contexto social que influenciou seu trabalho. Mestre Galdino foi poeta, violeiro e ceramista. Viveu no bairro do Alto do Moura, localizado em Caruaru, Pernambuco, local onde se nota a significação e a importância de suas cerâmicas. Logo na entrada do bairro nos deparamos com uma homenagem aos dois ceramistas responsáveis pela tradição do núcleo de ceramistas de Caruaru: Mestre Galdino e Mestre Vitalino. Os ceramistas – descendentes da tradição do barro – consideram e prestigiam esses Mestres, mas, mesmo assim, há poucos estudos publicados sobre a biografia, a poesia e a cerâmica do artista popular Mestre Galdino, falecido em 1996. Suas primeiras peças são bonecos da tradição local, moringas e máscaras e, aos poucos, em seu “escritório”, foi construindo sua poética pessoal. A imitação da realidade não era considerada arte para Galdino, já a expressão do seu universo imaginário foi sua busca para a “transformação” da sua arte e para a construção de sua poética, estabelecendo uma rede com seu meio social, sem separar arte, poesia e vida.

•••••

2011

“A Poética do Pote” – Lorena D’Arc 

A dissertação apresentada compreende reflexões em torno do pote cerâmico relacionado à prática artística, tanto em meu processo de criação como na produção artística contemporânea. O pote no qual trabalho a minha poética parte da forma clássica da louçaria utilitária doméstica e é suporte para o desenvolvimento de uma prática em que ele se apresenta fora de sua aplicabilidade funcional ou de seu contexto original. A partir da forma da tigela, desenvolvo trabalhos através de múltiplos, uso recursos de impressões serigráficas e tipográficas e outras interferências, como o tricô, na tentativa de trazer outro olhar para o utensílio cerâmico.

•••••

Cunha é uma pequena cidade situada a extremo leste do Estado de São Paulo, que tem sua origem, em meados do século XVIII, atrelada ao fluxo de tropas que percorriam a trilha do ouro das Minas Gerais ao porto de Paraty-RJ, atualmente como Estrada Real. Desde cedo sua história demonstrou afinidade com a produção de objetos cerâmicos: a princípio com peças utilitárias, feitas por mulheres conhecidas como Paneleiras, influenciadas entre outras coisas, na hoje extinta produção ceramista de tribos indígenas que habitavam aquela região, posteriormente pelas Olarias que a partir da forma retangular do tijolo, permitiram à cidade se reedificar. Mais recentemente, na década de 1975, a chegada de um grupo de pretensos ceramistas, a maioria deles estrangeiros, imprime ali, outros olhares sobre a produção do objeto cerâmico que ao longo dos últimos trinta e seis anos, projetaram a cidade como um importante pólo ceramista nacional. Interessa-nos buscar entender quais as principais características identificam este processo de transformação, para então termos condições de responder à questão que motivou grande parte desta pesquisa: será possível nos referirmos à cerâmica produzida em Cunha, como sendo de Cunha? O corpo principal deste texto está dividido em quatro capítulos, cuja ordem tem por objetivo compilar de forma didática informações que permitam o entendimento daquilo que chamaremos: Caminhos da Cerâmica em Cunha. No primeiro capítulo buscaremos situá-los, mostrando algumas de suas particularidades históricas e estéticas. Esclarecidos sobre a existência e importância deste corpo cultural maior, poderemos imergir no universo da Alta Temperatura, a começar pelo entendimento das características que conferem ao forno Noborigama importância primordial.

•••••

“Celeida Tostes: o barro como elemento integrativo na Arte Contemporânea” – Elaine Regina dos Santos

Esta dissertação de mestrado é o resultado de uma investigação sobre o aspecto integrativo da obra de Celeida Tostes. A pesquisa está dividida em quatro capítulos traçando um caminho que busca pensar o espaço ocupado pelo feminino, pela cerâmica, pela arte e suas transformações, e pelo trabalho da artista inserido neste panorama. O primeiro capítulo traz uma breve narrativa do papel da mulher e suas conquistas através da história. O segundo capítulo versa sobre as transformações das Linguagens Artísticas no século XX e a produção tridimensional. O terceiro capítulo discorre sobre a importância da produção artística cerâmica. O quarto, último capítulo, apresenta a reflexão sobre o aspecto integrativo da obra da artista plástica Celeida Tostes e sua grande contribuição para a inserção da arte cerâmica na área acadêmica e no campo das artes plásticas.

•••••

“Enterros: momentos-específicos” – Rebeca Lenize Stumm 

A pesquisa refletiu sobre a ação poética de Enterro, capaz de romper com a continuidade em curso da imagem, instrumentalizando, ainda, o repetir e o registrar de outros Enterros por distintas autorias. A partir do Enterro de uma obra cerâmica na Avenida Paulista, em 2007, a imagem- documento dessa ação desencadeou outros Enterros realizados sob distintas interpretações, por participantes em diferentes lugares (2007-2010). Os pensamentos de Walter Benjamin e Gilles Deleuze apoiaram o entendimento do Enterro como ação que causa estranhamento e ruptura com o que está posto, deflagrando visualizações de outras realidades possíveis. Assim, o diferencial do trabalho apontou para o potencial dos Enterros produzirem momentos específicos de transformações de sentidos à ação, produção de imagens e autoria, possibilitando ao artista retomar seu trabalho a partir do sentido construído pelo outro, agir ora como participante, ora como autor, na mesma obra, em momentos diferentes.

•••••

“Passagens” – André Luiz Yassuda

Passagens se refere à transição, deslocamento, mudança, transmissão e continuidade. Percepção do corpo como um todo na ação do fazer; no movimento e suas ressonâncias, na conexão com a respiração e como isso se transmite na modelagem dos trabalhos. Se passagem implica aqui em relacionar diferenças, algo que se dá entre o ser e a matéria, estamos falando de uma matéria inerte, fria e amorfa que recebe, registra e devolve uma ação1 que se dá a partir do contato com as mãos e o corpo. No início trabalhei a partir de galhos de árvores como uma estrutura para a modelagem, determinada pelo crescimento do vegetal; matéria que se organizava movida por um princípio de energia vital, sobrepondo neles a argila que se agregava sobre os movimentos da sua forma. Num segundo momento, durante a secagem dos trabalhos, fui realizando outras intervenções, até o momento da queima, quando os galhos desapareceram deixando vazios e vestígios de seu contato com a argila. A composição de massas cerâmicas associada à queima como processo de transformação, onde o forno é construído adequando-se a cada trabalho são questões também importantes que vem sendo desenvolvidas. Iniciada através da pintura e da gravura, a presente pesquisa expandiu-se aos processos da cerâmica. Trabalhando com procedimentos de destruição e regeneração, a relação entre intenção e acaso se dá por sobreposições contínuas. Na montagem dos trabalhos, diferentes contextos trazem questões específicas ao processo de criação, envolvendo a elaboração de instalações e pensando as peças como partes de um corpo que se articula pela aproximação e combinação entre elementos diversos, incluindo as pinturas, madeiras encontradas, como pedaços de árvores e gravuras.

•••••

2010

“Arte em cerâmica e a memória como elemento criativo” –  Daniela Garcia Bueno

Esta pesquisa na área de processos e procedimentos artísticos tem como eixo norteador a arte cerâmica e a memória como elementos criativos. O estudo inicia-se com a história azulejar no Brasil e o acervo dos painéis produzidos desde o período colonial até a atualidade. O uso dos painéis e murais em cerâmica reforça o potencial desse material como suporte e forte veículo mnemônico. A primeira abordagem mnmônica se apresenta por meio das obras de Frida Kahlo e Sophie Calle, que utilizam a escrita e as memórias pessoais como elementos geradores de propostas em arte. Diante destes apontamentos, e de algumas produções contemporâneas apresentadas no corpo do trabalho, três artistas receberam enfoque: Zandra Coelho de Miranda, Caroline Harari e Maria Bonomi. Verificam-se em suas produções artísticas dois elementos comuns: o uso do barro como matéria de trabalho e o tema mnemônico. Ambos também estão presentes nas produções da autora dessa pesquisa. A exposição realizada em 2010 no Instituto de Artes da UNESP, intitulada Doadores de memórias, é fruto das elaborações mencionadas, produzidas durante este percurso sob influência das artistas estudadas. O presente estudo – soma de uma prática pessoal e das referências abordadas – almeja despertar outros olhares para a compreensão da arte cerâmica como caminho possível, repleto de potenciais para a criação artística contemporânea.

•••••

2009

“A terra que virou poesia: A arte cerâmica de Toshiko Ishii” – Márcia Norie Seo

Nesta dissertação proponho-me abordar a obra de Toshiko Ishii (1911-2007), ceramista de destaque em Belo Horizonte, a partir de diversos olhares e da memória daqueles que estiveram perto de sua vida e trabalho, assim como dos rastros físicos de sua existência -suas peças e ateliê. Ambos permitem construir uma imagem de Toshiko que inspira uma coleção de peças que eu mesma desenvolvo como parte da dissertação.A obra de Toshiko materializa a beleza da simplicidade, ao mesmo tempo em que explora novas formas de expressão a partir do estilo que ela mesma denomina Bizen mineiro. A cerâmica reflete, de uma maneira sutil, a própria existência da arista, garantindo sua perduração no tempo e sua projeção sobre todos que se deparam com sua obra.

•••••

“Mulheres recipientes: recortes poéticos do universo feminino nas artes visuais” – Flávia Leme de Almeida

Esta dissertação de mestrado é o resultado de uma investigação sobre o universo feminino nas Artes Visuais. As prováveis tecituras resultantes dos entrelaçamen- tos de tramas e urdiduras artísticas apontaram para as questões estéticas, as ela- borações formais e simbólicas do feminino em suas diversas representações. A pesquisa foi dividida em quatro partes que interligaram-se por um fio condutor: o papel e a força da mulher na história da arte. Na primeira parte, o feminino foi mostrado na sua forma mais ancestral de representação através das estatuetas votivas, denominadas Vênus – a figura da mulher apresentou-se nesse período como força fertilizadora. Na segunda parte, abordou-se a manifestação artística das mulheres após a onda revolucionaria sexista – o feminino é então mostrado como força revitalizadora. A terceira parte foi destinada às artistas (es)colhidas do século XX e XXI que trataram do feminino em suas poéticas artísticas – o fe- minino é tecido como força convergente. Mulheres Recipientes é finalmente ali- nhavada na quarta e última parte, que contém o arremate dos fios artísticos tradicionais antigos e contemporâneos com as possíveis leituras das obras em cerâmica da autora – o feminino completa-se como força reconciliadora.

•••••

2008

“A terra e a construção de uma poética da leveza” – Heloisa Aparecida Fiorini Galvão

Esta pesquisa aborda a relação entre leveza e peso, entre matéria e imaterialidade, a partir do elemento terra. Compreende a criação de um conjunto de obras partindo dessa matéria densa, resistente, que tende ao peso, explorando seus limites, buscando leveza e imaterialidade. O presente trabalho reúne os relatos dessa construção, bem como a reflexão de várias questões surgidas nesse percurso. Relata o resgate de técnicas tradicionais, como a porcelana translúcida e os processos de sensibilização de suportes fotográficos, que vêm da origem da fotografia. A partir de uma nova leitura dessa tradição é construída uma poética contemporânea. O trabalho é permeado pela relação entre elementos bi e tridimensionais, pelo híbrido. Por um lado, a atenção se volta à forma e volumetria, e ainda à busca pela profundidade desse corpo a partir da translucidez da matéria. Por outro, o foco de interesse é puxado para a superfície, com a retomada da imagem fotográfica ao trabalho, numa tentativa de tridimensionalização da imagem

•••••

“Cerâmica Kadiwéu – Processos, transformações, traduções: uma leitura do percurso da cerâmica Kadiwéu do século XIX ao XXI” – Vânia Perrotti Pires Graziato 

O presente trabalho, resultado do contato com sociedades da Reserva Indígena Kadiwéu, localizada no Pantanal Sul-mato-grossense, verifica a cerâmica ali produzida pelas índias, no período compreendido entre o final do século XIX e a atualidade. A investigação focaliza o processo de produção, os padrões ornamentais, a forma e a função dos objetos, além dos materiais e técnicas utilizados. A cerâmica Kadiwéu difere, atualmente, das demais produções brasileiras principalmente pela ornamentação, marcada por grafismos e cores muito peculiares. Essa produção sofreu, durante o período ao qual a pesquisa se ateve, transformações significativas no que se refere aos padrões e técnicas ornamentais, possivelmente devido à fixação dos índios próximo a Serra da Bodoquena, que oferece grande variedade de matérias-primas, incorporadas às produções correntes. Foram utilizadas como referência para esta pesquisa duas importantes coleções etnográficas: a de Guido Boggiani, que esteve entre os Kadiwéu em 1892 e 1897 e se encontra, sobretudo, em museus da Itália e a coleção recolhida por Darcy Ribeiro na década de 1940, período em que conviveu com eles. Essas coleções diferem muito da produção atual, conforme verificação feita durante os anos 2000 e 2005. A aproximação aos processos de produção, das formas, cores e padrões, impressos na cerâmica Kadiwéu, possibilitou a compreensão da real dimensão das inúmeras possibilidades de exploração do barro transformado pelo fogo, propondo, então, uma tradução poética dessa observação. São de essencial importância a apresentação desse percurso, a verificação e o registro dos processos de produção atuais, usados pelas mulheres índias para preparar, modelar e submeter o barro à ação mágica e transformadora do fogo. A tradução poética aqui delineada nasceu desse encontro, que provocou reflexões manifestadas por dois conceitos: persistência e tradição oral.

•••••

2007

“Tecer o barro: uma construção de percursos e conexões da cerâmica em hipermídia” – Maria Betânia Silveira

Esta dissertação associa a cerâmica às novas tecnologias do computador objetivando a criação de um CD-ROM híbrido. Trabalho que se realiza na construção de uma grande rede tramada com a poética da terra, dos devaneios da matéria, da massa e do fogo, do laborioso jogo do fazer com as mãos, com a poética do virtual, da extensão do corpo, do caminho labiríntico que se desdobra em muitas possibilidades no instante de um clicar eletrônico. Ao longo do desenvolvimento deste CD-ROM, imagens poéticas estarão entrelaçadas às informações e conhecimento científico sobre o assunto. A partir do conceito de trama é desenvolvida, com registros fotográficos e em vídeos, uma pesquisa pessoal com o material cerâmico em ateliê. Imagens destes trabalhos são utilizadas ao longo da construção do objeto CD-ROM assim como a de outras produções. Neste CD apresentam-se alguns profissionais brasileiros, que utilizam a cerâmica como suporte para sua expressão plástica, seus trabalhos, além de diversas técnicas e processos deste fazer. Todo o conteúdo informativo poderá ser acessado e enriquecido através da interatividade possibilitada pela hipermídia. Trata-se, portanto, de um trabalho que enfoca o individual e o coletivo. Utilizou-se para este desenvolvimento conceitos da área da comunicação e informática, tais como multimídia, hipermídia, hipertexto, interatividade, labirinto e rizoma, entre outros.

•••••

2006

“Ninho, casa e corpo” – Rosana Tagliari Bortolin

Esta dissertação relata e traduz o percurso de estudos, reflexões, pesquisas e procedimentos, dedicados à elaboração de um conjunto de trabalhos realizados com a terra, com a cerâmica, sobre a temática dos ninhos e casulos a partir das vivências que meu corpo atual e consciente, tem com a natureza que me cerca. As reflexões desencadeadas por essas vivências fazem uma relação análoga dos ninhos e casulos com a casa e com o corpo enquanto ninho primordial.

•••••

2004

“RECEPTáculos” – Rosana Guimarães Mariotto

Este trabalho consiste em um estudo tridimensional denominado Receptáculos. Trata-se de vinte peças realizadas no período que vai de 1998 a 2004, utilizando-se cerâmica, porcelana, prata e cobre. Receptáculos é um conjunto que foi desenvolvido a partir de uma concepção inicial que buscava evocar, na tridimensionalidade, o corpo feminino na função de abrigo. No decorrer do processo, essa procura se transforma na tentativa de captação de um espaço interno. Neste texto, relata-se a trajetória de sua concretização, desde a vivência que desencadeou sua busca, os procedimentos realizados no atelier, os desenhos que acompanharam toda a reflexão e feitura das peças, até as reflexões finais sobre o processo de criação, após o término dos trabalhos.

•••••

1999

“Lugar com Arco” – Norma Tenenholz Grinberg

O arco surgiu entre as antigas civilizações que se desenvolveram na Mesopotâmia, foi adotado pelos gregos e, mais tarde, pelos estruscos.
Mas foi com a civilização romana, um dos principais elementos de sua arquitetura e engenharia, que adquiriu uma improtância que ultrapassou os limites da área construtiva e se transformou num dos símbolos da cultura ocidental, como demonstra um arco de triunfo. Lugar com Arco discorre sobre a história do arco enquanto elemento arquitetônico-escultórico, ainda hoje empregado em projetos que enfatizam a noção de poder e potência, e principalmente discute suas relações no terreno simbólico. Todo arco pressupõe o ato de passagem, implica a idéia de uma moldura que circunscreve a realidade, supõe que existe o lado de dentro e o lado de fora, o universo interior e o universo exterior. Mais, pressupõe a idéia do intervalo, a necessidade do vazio e da pausa. Na dissertação, analiso obras anteriores que anteciparam a questão do arco, situo o aparecimento do arco em meu trabalho, relato as transformações que sofreu até chegar ao arco monumental especialmente produzido para a tese de doutorado em poéticas visuais. Por outro lado, estudo o arco na perspectiva de uma escultora que utiliza a cerâmica como técnica e linguagem. Lugar com Arco faz uma leitura poética do elemento concreto arco, bem como do elemento abstrato arco. Ao mesmo tempo em que materializa um arco, estabelece um diálogo sobre seus significados, suas abrangências, suas limitações. Ao eleger uma obra, falar sobre as ciscunstâncias que a geraram, sobre as etapas pelas quais passou, sobre as implicações conceituais e técnicas que a modificaram, fala-se sobretudo de um trabalho em curso. Um trabalho que se faz a cada dia, como o caminho do caminhante, que frequentemente vai na contramão e ainda assim chega a seu objetivo.

•••••